domingo, 10 de março de 2013

Domingo de Poesias ..


A FLOR E A NÁUSEA
(por Carlos Drummond de Andrade)
“Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
É feia. Mas é flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”


VERDADE 

“A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.”

TRISTEZA (Manuel Bandeira)
“Quando perderes a gosto humilde da tristeza,
Quando nas horas melancólicas do dia,
Não ouvires mais os lábios da sombra
Murmurarem ao teu ouvido
As palavras de voluptuosa beleza
Ou de casta sabedoria;
Quando a tua tristeza não for mais que amargura,
Quando perderes todo estímulo e toda crença,
- A fé no bem e na virtude,
A confiança nos teus amigos e na tua amante,
Quando o próprio dia se te mudar em noite escura
De desconsolação e malquerença;
Quando, na agonia de tudo o que passa
Ante os olhos imóveis do infinito,
Na dor de ver murcharem as rosas,
E como as rosas tudo o que é belo e frágil,
Não sentires em teu ânimo aflito
Crescer a ânsia de vida como uma divina graça:
Quando tiveres inveja, quando o ciúme
Cristar os últimos lírios de tua alma desvirginada;
Quando em teus olhos áridos
Estancarem-se as fontes das suaves lágrimas
Em que se amorteceu o pecaminoso lume
De tua inquieta mocidade:
Então sorri pela última vez, tristemente,
A tudo o que outrora
Amaste. Sorri tristemente…
Sorri mansamente…em um sorriso pálido…pálido
Como o beijo religioso que puseste
Na fronte morta de tua mãe…Sobre a tua fronte morta…”


A PARTIDA (Augusto Frederico Schmidt) 

“Quero morrer de noite.
As janelas abertas
Os olhos a fitar a noite infinda
Quero morrer de noite.
Irei me separando aos poucos
Me desligando devagar.
A luz das velas envolverá meu rosto lívido.
Quero morrer de noite.
As janelas abertas.
Tuas mãos chegarão aos meus lábios
Um pouco de água
E os meus olhos beberão a luz triste dos teus olhos.
Os que virão, os que ainda não conheço.
Estarão em silêncio,
Os olhos postos em mim.
Quero morrer de noite.
As janelas abertas,
Os olhos a fitar a noite infinda.
Aos poucos me verei pequenino de novo, muito pequenino.
O berço se embalará na sombra de uma sala
E na noite, medrosa, uma velha coserá um enorme boneco.
Uma luz vermelha iluminará um grande dormitório
E passos ressoarão quebrando o silêncio.
Depois na tarde fria um chapéu rolará numa estrada…
Quero morrer de noite.
As janelas abertas
Minha alma sairá para longe de tudo, para bem longe de tudo.
E quando todos souberem que já não estou mais
E que nunca mais volverei
Haverá um segundo, nos que estão
E nos que virão, de compreensão absoluta.”

ANOITECER

“É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo
É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.
É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz – morte – mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.
Hora de delicadeza,
gasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.”


O HAVER
(por Vinícius de Moraes)

“Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo:
— Perdoai! — eles não têm culpa de ter nascido…
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia de simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
E transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do Grande Medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do próprio reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada
.”
            Obrigada Senhor, por mais um dia!
             Luz e Paz
          Uma semana abençoada a todos!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher ..



O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo


quinta-feira, 7 de março de 2013

O Arco Íris ..

O Arco Íris
que brota do chão,
sete cores o enfeitam,
parece bordadas a mão 

O arco íris
será um dia
um grande escorregador
de alegria

O arco íris
não mais nada a dizer
além de um sonho,
o que mais pode ser!

                                                                      - Clarice Pacheco

domingo, 3 de março de 2013

Existência de Deus ..


Comercial muito bem feito que explica como Einstein, em sua infância, concebia a existência de Deus.
 Feito pelo Ministério da Educação e Ciência da República da Macedônia para promover a volta do ensino
 das religiões nas escolas.

O Anjo da Ternura ..

                                                O meu Ser está radiante de Ternura

...a ternura da brisa sobre a relva, a ternura de um botão que se abre em flor, a mão que encontra o gesto perfeito, o toque que cura, o olhar de pura compreensão, sem pedir nada em troca. Em nossas vidas, a ternura se traduz na naturalidade de nossas ações porque a Alma dissolveu todo o Medo de ser.

(Meditando com os Anjos)

Obrigada Senhor, por mais um dia!


sábado, 2 de março de 2013

É preciso ser persistente na Oração ..


 Todo domingo somos convidados na Santa Missa a buscar aquilo que vai ecoar na nossa vida durante toda a semana. Hoje o tema é a oração, a perspectiva, a palavra forte é a persistência. O acampamento fala da cura no amor, quem ama reza, e quem reza ama. É fácil primeiro olhe para essa mulher do Evangelho porque é fundamental a leitura orante da Palavra de Deus.
A mulher era triplamente pobre, primeiro porque era mulher, o fato de ser mulher a impedia de se colocar diante de um juiz, pobre economicamente e viúva. Jesus usa uma pessoa que realmente era discriminada e desvalida para dizer o quanto é importante rezar.
O objetivo não é colocar Deus como aquele juiz, Deus não é assim, Ele é Pai, o proposito de Jesus não é falar do Pai, mas falar da oração. Deus é Pai e a oração não tem o proposito de arrancar nada de Deus, porque Ele já nos deu muito e dá muito a quem O pede. A oração é um exercício nosso de insistência e de nos convencer de que o que pedimos é certo.
O que esta mulher fez? Esta mulher era pobre triplamente, mas era persistente e esta é uma virtude necessária. O que é que Jesus quer dizer? Primeiro que devemos ser persistentes, caiu levanta, porque ninguém é anjo, o nosso caminho para o céu é cheio de subidas e decidas. As nossas orações devem ser persistentes.
Só mude de oração quando você puder dizer: “Senhor obrigado pela graça alcançada”. Porque não há prece que passe despercebida aos olhos de Deus. São Jeronimo dizia que quanto mais importuna é a nossa oração, mais agrada a Deus.
Perceba que nós precisamos reafirmar nossa fé, e quando nos damos conta de que nada poderemos sem Deus, e confiamos que “Tudo posso naquele que me fortalece” Então não recuamos, não damos brechas ao inimigo, a hora que me bate o desanimo, eu dobro o joelho, o cansaço eu vou para um retiro, quando bate a tristeza eu rezo, quando bate o peso da cruz, eu peço: “Senhor me ajude a carregá-la, me dá forças para ir até o fim”. Mas por favor não desista, não volte atrás.
Noites traiçoeiras, eu não tenho medo, tenho medo das noites escuras, porque é quando o inimigo se apresenta, e na noite você não sabe que armas ele está usando. Eu não tenho medo de quem se arma, mas tenho medo daqueles que passam pelas feridas que não curamos, das imperfeições que não damos atenção. Raramente uma casa implode de uma vez, ela começa com uma rachadura aqui e outra ali, até que chega ao alicerce. Onde você está permitindo abalar a estrutura da sua fé?
Há mutas pessoas começando batalhas espirituais mas não estão munidas de oração. E todos perguntam o que é intercessão? Intercessão não é rezar para mim, mas em favor do outro. Como alguém pode dizer que é intercessor se nas coisas pessoais desiste de qualquer coisa?
Intercessão é se colocar entre Deus e a causa, Moisés se colocou entre Deus e o povo. E quando alguém disser para você: “Reza por mim porque estou passando por uma tribulação”. Você precisa se colocar entre Deus e a pessoa e com persistência. O Nosso relógio não comanda a vontade de Deus. Põe na tua cabeça, que as contas dos dias e das horas não são para Deus, são para nós. porque o momento, a hora é de Deus. Saiba esperar a hora do outro mas de joelho dobrado e de coração contrito.
A virtude de hoje até sábado que vem, é pedir: Senhor dai-me perseverança. Não desista de acreditar e de confiar no Senhor. Porque a tempestade vem, mas ela passa. E nessa hora de tribulação o que temos que fazer é dizer: “Senhor seja a minha ancora, o meu porto seguro, meu sustento, Senhor eu estou no meio da tribulação mas eu vencerei porque Deus sempre proverá.
(Canção Nova ;D Padre Reginaldo Manzotti – Formação)